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PREVENÇÃO
Comitê apresenta ações contra dengue e febre maculosa
14/09/2018 | 16h50
Comitê apresenta ações contra dengue e febre maculosa

Integrantes do Comitê Municipal de Controle de Arboviroses participaram na quinta-feira (13) de uma reunião sobre o quadro epidemiológico atual das arboviroses e as ações preventivas em Limeira. O encontro ocorreu na sede da prefeitura (Edifício Prada), sob coordenação do diretor de Vigilância em Saúde, Alexandre Ferrari, e contou com a presença de diretores das secretarias de Saúde e de Meio Ambiente e Agricultura, além do médico Luiz Pedro Prada Neto (Medical) e da vereadora Lu Bogo, representando a Comissão de Saúde, Lazer, Esporte e Turismo da Câmara.

Ferrari aproveitou a oportunidade para falar sobre o trabalho preventivo desenvolvido pelo município em relação à febre maculosa, que inclui o corte do mato e colocação de placas informativas em áreas de risco, capacitação da rede pública e privada de saúde, manutenção de campanha educativa, entre outras. O diretor destacou que as medidas foram consideradas adequadas por técnicos da Diretoria Regional de Saúde (DRS) e da Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo (Sucen), que estiveram na prefeitura na última terça-feira (11).

Na reunião, a chefe da Vigilância Epidemiológica, Amélia Maria P. da Silva, atualizou os registros de febre maculosa neste ano, com a confirmação de mais um caso. Segundo Amélia, trata-se de um homem, de 35 anos, que recebeu atendimento médico e passa bem. Ela informou que a Vigilância ainda trabalha na investigação do local de provável infecção do paciente. Com esse novo registro, o município contabiliza 40 notificações de febre maculosa, sendo 6 confirmados (incluindo três óbitos) e 14 suspeitos que aguardam resultado de exame laboratorial.

Amélia salientou a importância de toda a rede de saúde ficar atenta aos principais sintomas da doença e ao histórico de eventual contato com áreas de risco para realização do diagnóstico diferenciado. “O diagnóstico é importante para que o paciente receba a medicação o mais rápido possível, evitando-se a ocorrência de óbito”, afirmou. A doença, cujo principal vetor é o carrapato estrela, é caracterizada por mal estar, fadiga, febre e dor de cabeça e nas articulações. Podem, ainda, aparecer exantemas (manchas vermelhas), predominantemente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Amélia acentuou que os sintomas são muito parecidos com os de outras arboviroses – como a dengue – daí a importância do levantamento do histórico de deslocamento do paciente.

Complementado, a chefe da Divisão de Controle de Zoonoses, Pedrina Aparecida Rodrigues Costa, orientou que os profissionais de saúde também observem a presença das formas imaturas dos carrapatos, popularmente conhecidas como “micuins”, no corpo dos pacientes ou mesmo o relato dos mesmos. “As larvas e ninfas integram o ciclo de vida dos carrapatos e mais tarde transformam-se em indivíduos adultos.”

O cuidado dos médicos no preenchimento das fichas de notificação de febre maculosa também foi reforçado por Pedrina. Essas informações, segundo ela, são indispensáveis na identificação das áreas de contaminação. “A suspeição é um elemento fundamental para que sejam adotadas as medidas preventivas”, disse.

DENGUE

Quanto às arboviroses, Amélia apresentou dados que apontam redução das ocorrências de dengue na cidade. São 8 casos confirmados neste ano, contra 22 registrados em 2017. Ela observou também que a rede de saúde precisa continuar solicitando exames de sorologia para dengue, que podem ser coletados em todas as 32 Unidades Básicas de Saúde, além do Centro Municipal de Patologia Clínica.

Apesar da baixa incidência, Pedrina alertou que as medidas preventivas por parte da população devem ser mantidas. “Estamos entrando no verão, período onde há maior incidência de chuvas, e esses 8 casos mostram que o vírus continua circulando na cidade”, frisou.

A recomendação foi endossada pelo biólogo e diretor de Licenciamento, Fiscalização e Áreas Verdes, Rogério Mesquita. Ele destacou que o quadro atual da dengue é resultado de um intenso trabalho de prevenção, com visita dos agentes de controle de zoonoses às residências e imóveis comerciais, limpeza compulsória de imóveis, campanhas educativas, palestras, entre outros. “Esse trabalho é contínuo”, frisou.

Durante a reunião, Pedrina apresentou um comparativo entre as três avaliações de densidade larvária – pesquisa que mostra o panorama dos criadouros de dengue. O estudo foi realizado nos meses de janeiro, abril e julho deste ano, conforme recomendação do Ministério da Saúde (MS). De acordo com os parâmetros do MS, resultado inferior a 1% indica condição satisfatória para dengue; de 1% a 3,9% configura-se como situação de alerta; e superior a 3,9%, sugere situação de risco.

Na tabela apresentada, os índices de janeiro e abril foram, respectivamente, de 2,7% e de 1,1% – indicando estado de “alerta”. Na última medição, em julho, o índice encontrado foi de 0,3% - que aponta para condições satisfatórias. Mesmo perante a melhora do quadro de risco, Pedrina salientou que ainda é grande o número de criadouros em potenciais, com 3.037 recipientes localizados em janeiro, 767 em abril e 894 em julho. O número de criadouros com água também foi outro dado considerado preocupante: 2.047 em janeiro, 535 em abril e 413 em julho. Já no quesito “positividade” para larvas do Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue), foram 154 em janeiro, 19 em abril e 20 em julho.

“Estamos investindo continuamente em ações preventivas. Só neste ano, realizamos 17 mutirões aos sábados. Esse trabalho é intersetorial e envolve todas as secretarias”, comentou Pedrina. Ela citou, ainda, a crianção do Sinan – sistema desenvolvido pelo município para facilitar a notificação da dengue.

Prada Neto, por sua vez, sugeriu a implementação de um “protocolo de choque” durante o acolhimento dos pacientes nos serviços de saúde, a fim de facilitar o diagnóstico das arboviroses, entre elas, a dengue.

Também participaram da reunião, a diretora de Assistência à Saúde da prefeitura, Camila Rezende, o chefe de Divisão de Laboratório, Luiz Gustavo Sanches Martins, a diretora de Jornalismo da Secretaria de Comunicação Social, Kelly Camargo e a chefe da Divisão de Vigilância Sanitária, Renata Martins.

 

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