CULTURA
A Coxinha de Limeira

A COXINHA DE LIMEIRA

 

DIZ A LENDA...

As lendas podem ter seu fundo de verdade e sempre são transmitidas de geração para geração, de forma oral. Elas, geralmente, tentam oferecer explicações para acontecimentos que não têm fundamento científico, combinam fatos com base real com aqueles irreais. Há de se considerar que uma lenda não significa uma mentira, mas também não significa uma verdade. Trata-se,  portanto, de uma história inventada, que sobrevive na memória das pessoas e contagia a comunidade.

Gastão D'Orléans, o Conde D'Eu, a  Princesa Isabel e os tres filhos, Pedro , Luís e AntônioSobre a possível origem da coxinha em Limeira, narra-se que em meados do século XIX o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Thereza Cristina, e mais tarde o Imperador com sua filha a Princesa Isabel, seu esposo Conde D’Eu e os três filhos, passaram por Limeira e fizeram pouso na Fazenda Morro Azul . Naquele período a fazenda pertencia à Limeira, mas atualmente pertence à cidade vizinha de Iracemápolis.

De fato, as ligações da nobreza com a cidade de Limeira eram intensa naquela época, afinal, nobres portugueses e senhores proprietários de glebas de terra dessa região mantinham estreitas relações políticas com a corte – este era o caso, por exemplo, do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, proprietário da Fazenda Ibicaba. Portanto, a passagem real por Limeira é um fato histórico.

Nesta mesma narrativa lendária, conta-se que um dos filhos da Princesa Isabel com o Conde D’Eu exigia uma atenção especial  e um apetite voraz por coxas de frango. Assim, certa ocasião, na falta de coxas de frango, inclusive para o preparo das sopas tão apreciadas pela realeza, uma das mucamas que acompanhava a comitiva real sugeriu preparar  algo muito especial: a partir de poucos pedaços de frango,com a ajuda da cozinheira da Fazenda Morro Azul, ela os desfiou e os envolveu em uma massa de batata, misturada com farinha de mandioca, dando à massa o formato de pêra e a  fazendo parecer uma coxa de frango. Depois de empanada na farinha de mandioca  a fritou, em óleo quente, e finalizou com um pequeno fragmento de osso na sua extremidade.

Surgia, então, a lenda da coxinha imperial criada em Limeira, quitute venerado por todos, conquistando o paladar desde o mais simples ao mais refinado.

 

*CAVAZIN, Nadir A.G.,História e Receitas: sabor,tradição,arte,vida e magia. Limeira:Sociedade pró Memória de Limeira, 2000, p.20